Especial Mundial: Os caminhos de Pinheiros e Olympiacos até Barueri

A Grécia é o berço da sociedade ocidental. Até hoje usamos a filosofia, a ciência política, a dramaturgia, a matemática e a literatura, entre outras coisas criações de grandes pensadores da antiguidade. Eles influenciaram seus conquistadores, os romanos, o renascimento e a concepção dos países modernos.

Mas uma das principais heranças gregas é o esporte. Os Jogos Olímpicos da antiguidade reuniam atletas para saber quem era mais forte ou mais rápido. Em 1896, o Barão Pierre de Coubertin finalmente conseguiu colocar em prática sua ideia, criar as Olimpíadas da era moderna.

Desta terra inspiradora chamada Grécia vem o Olympiacos, que enfrenta o Pinheiros no primeiro jogo da Copa Intercontinental de Clubes, que acontece nos dias 4 e 6 de outubro em Barueri. Nada melhor que um torneio como esse, com espírito olímpico, para saber quem é mais forte e mais rápido – neste caso, quem defende melhor e faz mais cestas.

Foi com esse ideal que a Copa Intercontinental foi criada em 1967, após aquele amistoso entre Corinthians e Real Madrid, descrito no primeiro texto do nosso especial sobre o torneio. Naquele momento, um paralelo foi criado com a Grécia antiga, com a ideia de saber quem jogava o melhor basquete de clubes no mundo. A seguir, lembraremos os caminhos de gregos e troianos, ops, paulistas, até a bola laranja subir para ambos.

Do Paulista para as Américas

Festa Pinheirense (Samuel Vélez - Fiba Américas)

Festa Pinheirense (Samuel Vélez – Fiba Américas)

A caminhada do Pinheiros ao Intercontinental começou em agosto de 2011. O time levantou o troféu do Campeonato Paulista pela primeira vez, acabando com um incômodo jejum de títulos da capital. Mas não foi fácil. Nas finais, uma vitória no caldeirão de São José dos Campos deu o troféu aos pinheirenses.

Também naquela temporada de 2011/2012, o time ficou com a segunda colocação na Interligas, torneio que reunia os quatro melhores de Brasil e Argentina, perdendo a final para o Peñarol de Mar del Plata. O Pinheiros também foi vice da Liga Sul-Americana, perdendo a final para o Obras Sanitárias, também da Argentina.

No NBB, uma grande campanha. O time teve a melhor defesa do campeonato, terminando a fase de classificação na segunda posição, apenas atrás do São José, com uma campanha de 21 vitórias e apenas 7 derrotas. O time avançou direto para as quartas-de-final, quando bateu o Joinville por 3 a2. A eliminação, porém, veio na fase seguinte.

O Pinheiros superou os problemas do placar e do cronômetro de 24s do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, e conseguiu levar a decisão de quem passaria para a grande final ao jogo 5, em São Paulo. A vitória (e a vaga para a final) escapou por pouco. Assim, o time terminou o NBB na terceira posição pelo segundo ano seguido e avançou para a Liga Sul-Americana, que teria uma novidade: o acesso à Liga das Américas.

O Pinheiros caiu num grupo complicado, com Mavort (EQU), Obras Sanitárias (ARG) e Centauros (VEN). E equipe pinheirense começou com derrota para o Obras: 81 a 88. Na segunda partida, vitória contra o Mavort por 82 a 73, e na última rodada, o time precisava vencer por determinada diferença de pontos para se garantir na próxima fase da Liga Sul-Americana, que também dava vaga para a Liga das Américas, torneio principal.

Poucos se lembram, mas a cesta incrível do meio da quadra de Paulinho Boracini foi extremamente importante para a conquista das Américas, mesmo que o time tenha sido eliminado da Liga Sul-Americana logo depois, na fase seguinte. A bola de 3 possibilitou que o sonho das Américas continuasse vivo.

Então em fevereiro de 2013, o Pinheiros fez sua estreia no Grupo A, com Lanús (ARG), Osos de Jalisco (MEX) e Estrellas Orientales (VEN). As vitórias contra Osos e Estrellas foram suficientes para levar a equipe pinheirense às semifinais do torneio, em novo grupo formado por Flamengo, Mavort (EQU) e o mesmo Lanús.

Os pinheirenses passaram pelo Flamengo, ganharam de forma apertada do Mavort (82 a 80) e se classificaram para o grande Final Four, que seria disputado em Porto Rico. Lanús, Brasília e Capitanes de Arecibo compunham a chave.

Na primeira rodada, o ECP não deu chances para os donos da casa: 88 a 76. O bom saldo feito na partida também era importante, já que este era um dos critérios de desempate. Mas a grande atuação veio no segundo jogo. A partida contra o Lanús era a terceira dos pinheirenses contra o time argentino e o retrospecto não era bom: duas derrotas.

Mas em determinados dias, a partida mais que perfeita vem. E foi com ela que o Pinheiros atropelou o Lanús por 82 a 66 e tirou um peso das costas dos times brasileiros, que não conseguiam vencer os hermanos. Para a última rodada, o Pinheiros dependia apenas de suas próprias forças para ganhar o campeonato, mas a derrota do Brasília para o Capitanes antecipou a festa: Pinheiros Campeão das Américas.

A força do basquete grego

O Olympiacos mostrou a força do basquete grego (Foto: Euroliga/Divulgação)

O Olympiacos mostrou a força do basquete grego (Foto: Euroliga/Divulgação)

Antes de qualquer coisa, Olympiacos e Panathinaikos editam há cerca de um século uma das maiores rivalidades da história do esporte. Algo diferente do que acontece entre Nova Iorque e Boston, que se enfrentam no beisebol (Yankees contra Red Sox), no futebol americano (Jets e Giants contra Patriots) e no basquete (Knicks contra Celtics), por exemplo. Não é o famoso Barcelona x Real Madrid no futebol e no esporte da bola laranja.

É algo diferente. É algo dentro da cidade de Atenas. O que diferencia essa rivalidade das outras é exatamente isso, como se Palmeiras e Corinthians (ou o nosso Clássico dos Jardins entre Pinheiros e Paulistano) fosse disputado em tudo. Do futebol ao cara e coroa.

E dentro dessa rivalidade, o Olympiacos desbancou a sequência de nove anos seguidos de títulos do Panathinaikos para chegar até a Euroliga 2012/2013. O time do “olympo” não vencia uma Liga Grega desde 1997, um jejum e tanto. Mas como na Europa existe a divisão por ranking, então os dois times gregos passaram para o torneio continental.

A maior crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial não abateu o basquete grego. Pelo contrário. Na verdade, a modalidade parece cada vez mais forte entre as equipes grandes e essa força é mostrada em nível continental. Nos últimos cincos anos, os times gregos foram campeões em quatro oportunidades e no ano em que não ganharam, conquistaram o vice.

Na Euroliga, o Olympiacos caiu no Grupo C, e passou para a segunda fase apenas atrás do lituano Zalgiris Kaunas, perdendo no confronto direto por apenas 4 pontos. Na segunda fase, a Euroliga juntou dois grupos de oito times cada, sendo que os quatro primeiros avançariam para a próxima fase.

O time ateniense ficou mais uma vez com o segundo lugar, avançando para as quartas-de-final apenas atrás do Regal FC Barcelona, do brasileiro Marcelinho Huertas. E mais uma grande rivalidade estava traçada, dessa vez entre gregos e turcos: Olympiacos x Anadolu Efes Istambul.

A série foi definida apenas na quinta partida, vencida pelos gregos por 10 pontos: 82 a 72. CSKA Moscou, Real Madrid e Regal FC Barcelona foram os outros que avançaram para o grande Final Four. Na primeira semifinal, o clássico espanhol terminou com vantagem para os madridistas: 74 a 67 para o Real. Já o Olympiacos conseguiu avançar graças a uma vitória plena da defesa sobre o CSKA: 69 a 52.

Na grande final, o time grego começou mal e levou 10 a 27 na primeira parcial do Real Madrid. Mas o time acordou e não deu chances aos espanhois, conquistando assim sua terceira Euroliga de Basquete. O craque Spanoulis foi o cestinha do jogo com 22 pontos e de quebra foi o MVP da partida. Ele estará em Barueri nos dias 4 e 6 de outubro na Copa Intercontinental contra o Pinheiros!

No próximo post, as armas dos dois times para conquistar o mundo: os deuses do olimpo x os guerreiros da capital paulista.

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