Especial: Jatyr, a estrela pinheirense da geração de ouro

Era uma manhã do começo de outubro. O céu cinza trazia um dia mais frio que o normal para esta época do ano. Ao olhar atento de três jovens na lateral da quadra do Ginásio José Corrêa, em Barueri, às margens da Rodovia Castello Branco, uma partida histórica para o Esporte Clube Pinheiros.

Uma vibração a cada cesta de três, defesa forte e uma festa grande no toco de Rafael Mineiro. Seus nomes? Bruno Caboclo, Humberto e Lucas Dias, três promessas da base do clube centenário do Jardim Europa, que mais tarde ganhariam o Campeonato Paulista Sub-19 e seriam medalha de bronze na Liga de Desenvolvimento do Basquete, principal competição nacional de base.

Quem olha hoje para o banco de reservas do Pinheiros/SKY enxerga um bom futuro para o basquete do clube. A base da equipe, que recebe um grande trabalho de Thelma Tavernari, José Luiz Marcondes, Brenno Blassioli, entre outros, é um grande celeiro de atletas.

Lucas Cipolini, Caio Torres e Davi Rosseto, que hoje fazem cestas contra o Pinheiros no Novo Basquete Brasil, passaram pelas categorias de base da equipe. Mas um jogador em especial merece um grande reconhecimento. É um jogador histórico, um campeão mundial.

Jatyr Eduardo Schall, ou apenas Jatyr, nasceu em São Paulo, em 1938. Ele foi um dos jogadores da geração de ouro do basquete nacional, medalhista olímpico em Roma e em Tóquio, campeão do mundo em 1959 e 1963. Atuou simplesmente entre gênios do basquete brasileiro: Wlamir Marques e Amaury Pasos.

Jogou na época em que o esporte era movido por amor e vontade, já que vários jogadores da precisavam trabalhar para sobreviver porque nada recebiam do basquete. Wlamir trabalhava nos Correios, Amaury no salão de seu pai. 

O começo no Pinheiros

Com 1,87m de altura e uma grande envergadura para sua geração, Jayr começou a jogar basquete no Esporte Clube Pinheiros. O ala passou pelos times da base, mas quis o destino que ele deixasse o clube. O motivo? O Pinheiros não possuía um time adulto, o que deixou Jatyr sem escolha. Era o momento de deixar o Jardim Europa.

Seu destino foi o Palmeiras, onde conquistou o Campeonato Paulista. Jatyr passou pelo Paulistano e encerrou a carreira no Sírio, com a conquistas da Taça Brasil e do Sul-Americano.

Os mundiais

Jatyr foi convocado para disputar o Mundial de 1959, que foi realizado no Chile. O Brasil estava no Grupo B, com Canadá, México e União Soviética. Os brasileiros se classificaram em primeiro, vencendo o México e o Canadá e tendo uma derrota apertada para os soviéticos.

Na última fase, o Brasil enfrentaria mais 6 equipes: Estados Unidos, Chile, Bulgária, Formosa, União Soviética e Porto Rico. Os brasileiros levantaram o mundo com cinco vitórias e uma derrota (novamente para a União Soviética) e Jatyr terminou o campeonato com 34 pontos em 8 partidas.

Campeão do mundo, o Brasil entrou como favorito para a edição de 1963 do torneio, que foi disputado no Rio de Janeiro, mais precisamente no Ginásio do Maracanãzinho. Como era a equipe dona da casa, o Brasil entrou no torneio já na fase final para disputar os seis jogos decisivos.

Os brasileiros, inflamados pela apaixonada torcida que lotou a arquibancada do ginásio, venceram todas as equipes e chegaram na última rodada precisando de uma vitória sobre os Estados Unidos. A missão não era fácil, mas com muita garra e o último ponto de Jatyr, o Brasil se sagrou bicampeão mundial. Ao todo, Jatyr fez 7 pontos em 5 partidas nesta edição do campeonato. 

O Brasil voltou à quadra para defender seu título mundial em 1967, no Uruguai. Na primeira fase foram três vitórias: Peru (85 x 41), Polônia (83 x 67) e Porto Rico (92 x 56). Mas na última fase, os brasileiros não conseguiram repetir o grande desempenho dos mundiais anteriores e com quatro vitórias e duas derrotas, ficaram com o bronze. Foi um grande torneio para Jatyr, que fez 79 pontos em 8 partidas, encerrando seu ciclo com a camisa amarela e verde.

Em Jogos Olímpicos

Jatyr foi convocado para duas Olimpíadas em sua carreira. Em 1960, na cidade de Roma, o Brasil conquistou a medalha de bronze. Foram sete jogos, com destaque para a boa atuação diante da Polônia. O pinheirense deixou 7 pontos na vitória por 77 x 68, em partida válida ainda pela primeira fase.

Contra o México, Jatyr fez 4 pontos e ajudou na vitória por 80 x 72. A Seleção Brasileira chegou até a fase final, mas perdeu para os Estados Unidos, por 90 x 63 e caiu diante da União Soviética, desta vez por 64 x 62, terminando os jogos com a medalha de bronze.

Em 1964 os Jogos Olímpicos foram realizados na “Terra do Sol Nascente”. Em Tóquio, o Brasil chegou mais uma vez com força e favorito a uma das medalhas. Na primeira fase, os brasileiros passaram pela Austrália: 69 x 57, com 66 pontos de Jatyr. O jogador teve atuação semelhante na vitória canarinha sobre a Finlândia: 61 x 54. Já contra a Coreia, o ala deixou 7 pontos no triunfo por elásticos 92 x 65.

O Brasil seria derrotado mais uma vez na semifinal pelo time da União Soviética: 53 x 47, com Jatyr marcando 4 pontos. Na decisão do bronze contra Porto Rico, uma grande partida do jogador: 10 pontos, e uma vitória por 76 x 60, dando a segunda medalha consecutiva ao basquete brasileiro, a terceira somando ao bronze de Londres 1948.

Isso tudo fazer de Jatyr uma grande estrela do basquete brasileiro, uma estrela do clube que hoje revela muitos jogadores, mas que naquela época não tinha condições de ter uma equipe adulta. Valorizar os ídolos do passado também é a missão do blog Torcida Pinheirense.

E hoje, aos 75 anos, o ex-jogador vive uma aposentadoria muito movimentada, como revelou em entrevista ao site Gazeta Esportiva. Em seu rosto, a idade representa a experiência. O desgaste está só nas medalhas. Cansaço? Nada disso. Jatyr vai para a academia e joga basquete em duas equipes, no Pinheiros e no Sírio, em categorias para jogadores acima de 55 anos.

Parar de jogar basquete? Jamais!

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